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A Crónica da VARIANTE ESPIRITUAL do CAMINHO DE SANTIAGO pela Costa

Realizado mais um caminho de Santiago de Compostela, é tempo de partilhar convosco, mais uma experiência fantástica realizada em bicicleta. Foram 3 dias de muitas pedaladas, enganos e peripécias, que fazem todas parte, senão não era a mesma coisa. 😀

O percurso deste ano teve uma extensão de 330 quilómetros, numa média de 110 kms por dia. A Variante Espiritual do Caminho da Costa, também conhecida como a Rota do Mar de Arousa e do Rio Ulla, que é a origem de todos os caminhos, começa em Pontevedra e termina em Pontecesures, onde se une à última etapa do Caminho Português.

A peculiaridade desta Variante pode ser caraterizada da seguinte forma:

Pontevedra → Armenteira - da vila ao silêncio:

Marca a transição entre o ambiente urbano e a Galiza mais rural. Logo nos primeiros quilómetros, o caminho passa por Combarro, uma das vilas mais emblemáticas da região, conhecida pelos seus espigueiros junto ao mar e pelo centro histórico preservado. 

A partir daí, o percurso afasta-se progressivamente da costa. O verde torna-se mais intenso, o ruído diminui e o silêncio começa a ganhar espaço. Este ambiente prepara naturalmente o peregrino para a chegada a Armenteira, um dos pontos espirituais mais importantes de toda a variante.

Armenteira → Vilanova de Arousa - a Rota da Pedra e da Água:

Percorre a conhecida Rota da Pedra e da Água, considerada por muitos como um dos troços mais bonitos de todo o Caminho Português. Ao longo do percurso, o caminho acompanha ribeiros, moinhos antigos e trilhos sombreados. O ambiente é fresco, verde e profundamente sereno. Por isso, é quase inevitável abrandar o ritmo, observar com mais atenção e deixar que o ritmo da natureza marque a cadência.

Vilanova de Arousa → Padrón - a travessia da Traslatio:

Começa de forma diferente. Em Vilanova de Arousa, o peregrino embarca para a travessia marítima pela Ria de Arousa e pelo rio Ulla, recriando simbolicamente a Traslatio Xacobea.

A viagem termina em Pontecesures. A partir daí, os últimos cerca de dois quilómetros fazem-se a pé até Padrón, onde o percurso volta a unir-se ao Caminho Português Central.

No nosso caso, como bons bicigrinos que somos, ao invés de termos embarcado, continuámos a viagem pela costa, desde Vila Nova de Arousa até Pádron, o que foi excelente. Conseguimos assim desfrutar de mais uns bons trilhos junto ao mar, com paisagens fantásticas. A chegada a Santiago de Compostela do numeroso grupo (15 bicigrinos) deu-se ao final da tarde do dia 6 de junho, coincidindo com a "Hora Dourada", altura do dia em que apenas a Catedral de Santiago tem luz solar, o que tornou esta chegada ainda mais especial.

Como vos disse, a bicigrinação deste ano iria ser ainda mais especial, pois recentemente perdi um amigo que me fez iniciar Os Caminhos de Santiago e planeávamos os próximos, não me poderá acompanhar mais fisicamente.

Passou a partir deste ano a acompanhar-me sempre em pensamento. Como singela homenagem levei comigo uma concha que por ele foi usada, que se juntou à minha usada desde o primeiro Caminho. Celebrei assim a tua partida...🙏

Este ano foi por ti, "Filú", Ana e Alice! 🧡🚵🐚







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